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Sete em dez goianos moram mal

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13/09/2010
Almiro Marcos

Mais de 3,8 milhões de goianos vivem em casas que não são consideradas adequadas para moradia. O número representa 68,7% dos domicílios pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2010. O índice registrado em Goiás é o oitavo pior do País. O que determina a falta de adequação de uma moradia é quantidade elevada de moradores (mais de duas pessoas por dormitório), falta de rede de água tratada e de esgoto e ausência de coleta de lixo.

Segundo a pesquisa, os pontos têm relação com a habitação por ser ela necessidade básica do ser humano. "A densidade de moradores por dormitório é um dos indicadores que expressam a qualidade de vida na moradia e, em conjunto com as características constitutivas e a disponibilidade de serviços básicos de infraestrutura, tem influência marcante na saúde e no bem estar da população", diz trecho do relatório.

Goiás, conforme os dados do IBGE, vai bem quando o assunto é coleta de lixo (90,2% dos domicílios atendidos), quantidade de moradores por dormitório (87% atendem o requisito de ter no máximo dois por quarto) e presença de rede de água tratada (80,8% da população é atendida). O que puxa o índice goiano para baixo é a rede de esgoto.

Resíduos

Conforme os números da pesquisa IDS, apenas 36,2% dos domicílios em Goiás têm seus resíduos sanitários coletados. A pesquisa tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar de Domicílios (PNAD) de 2008. Na semana passada o IBGE divulgou os dados da PNAD 2009, mas houve pouca variação no índice de domicílios atendidos por esgoto: 36,3%. Tanto no País e no Estado, onde o déficit é grande, o problema foi sendo construído ao longo das décadas. Para o médico sanitarista Elias Rassi, a situação tem a ver com o crescimento populacional rápido e com a urbanização acelerada do Brasil.

O sanitarista faz um recorte de caso na região metropolitana de Goiânia. Em 1970 a capital e o entorno reuniam cerca de 200 mil pessoas. Hoje, já passam de 2 milhões de habitantes. "Os serviços públicos, em especial o saneamento, não conseguiram acompanhar", justifica. A própria empresa Saneamentos de Goiás (Saneago) admite a existência do passivo.

"Tivemos uma década perdida, entre 1995 e 2007, onde tivemos dificuldades para ter acesso aos recursos. Com isso foi gerado um déficit. Somente há pouco pudemos recuperar a capacidade de investimento. E vamos trabalhar no sentido de melhorar a situação atual", explica o diretor de engenharia da estatal, Mario João de Souza.

A falta de saneamento está atrelada a questões de saúde. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a cada R$ 1 investido em saneamento, R$ 5 são economizados na rede de saúde pública. "Onde não há a coleta de esgoto, os moradores usam as fossas. E isso pode contaminar as águas superficiais e subterrâneas, levando a problemas de saúde", diz o professor da área de engenharia ambiental Antônio Pasqualeto, vinculado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologica de Goiás (IFG) e à Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

Se há a combinação de falta de coleta de esgoto e falta de água tratada, o problema torna-se mais grave. Afinal, as pessoas podem consumir água de cisternas contaminada pela fossa do vizinho e exposta a risco de contrair doenças como hepatite A, cólera, verminoses e outras.

O diretor de engenharia da Saneago, Mário João, salienta que as fossas sépticas são boas soluções para cidades de pequeno porte. O problema é que a maior parte do atual passivo na área de saneamento do Estado está localizado em áreas adensadas. E a solução utilizada pela população para suprir a falta de rede de esgoto é justamente a fossa séptica. "Aí, sim, a situação é preocupante", explica o engenheiro.

A falta de tratamento de esgoto pode gerar complicações para o próprio sistema de abastecimento público. "Com certeza pode aumentar os gastos com o tratamento de água. A gente costuma dizer que nos locais onde existem muitas fossas são criados paliteiros de contaminação", argumenta o professor de engenharia ambiental Antônio Pasqualeto.

Demanda atual por esgoto custa R$ 3 bi

Mantendo os atuais índices do passivo em saneamento no Estado, a Saneago precisa de R$ 3 bilhões para investir por 15 anos para reduzir o problema, principalmente com relação à coleta e tratamento de esgoto. Apesar de olhar com desconfiança certos números do IBGE, a empresa tem números parecidos. A estatal tem registrado atualmente 39,7% dos domicílios do Estado atendidos por coleta de esgoto e 34,8% por tratamento dos efluentes.


A Saneago responde pelo serviço de 223 dos 246 municípios goianos. Das cidades maiores, a Saneago só não atua em Catalão, Senador Canedo, Mineiros e Caldas Novas, onde o serviço é municipalizado. Os principais gargalos, hoje, para a preocupação da empresa, estão justamente em áreas muito adensadas populacionalmente. São os casos da Região Noroeste de Goiânia, Aparecida de Goiânia e o Entorno Sul do Distrito Federal. 

O diretor de engenharia da estatal, Mário João de Souza, detalha que, na capital, 80% dos domicílios são atendidos pela coleta - 60% é tratado e 20% vai para os córregos sem tratamento. Em Aparecida, apenas 16% do esgoto é coletado hoje.
Em todos os casos, o crescimento populacional foi acelerado e desordenado. "Isso criou um passivo. 

Só recentemente, de uns três ou quatro anos para cá, foi que os municípios passaram a cobrar dos loteadores que dotassem os loteamentos de infraestrutura de água e esgoto. Precisamos parar a situação da forma como está para tentar universalizar a coleta e tratamento do esgoto", explica Mário João.
Hoje, a Saneago estaria investindo cerca de R$ 200 milhões anuais. "Temos entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão em obras contratadas", diz.

Serviço ainda não chegou à Região Noroeste

Na segunda metade da década de 1990, centenas, primeiro, e depois milhares de famílias invadiram a área da antiga Fazenda São Domingos, na Região Noroeste de Goiânia. Nascia ali o Bairro da Vitória, que depois se desdobrou em vários bairros com outros nomes.
O bairro cresceu de maneira rápida e desordenada. Passou a ser mais um bolsão de problemas na região que já concentrava os principais gargalos da capital. Demorou, mas recebeu água tratada e asfalto. Mas esgoto não existe até hoje e a faixa de renda da população é baixa.
As famílias normalmente são numerosas e é comum a presença de mais de uma construção por lote para abrigar parentes (normalmente filhos). Assim, nem sempre é possível ter o número ideal de moradores por dormitório (no máximo dois), conforme o índice preconizado pelo IBGE.


Dos pontos determinantes para a moradia adequada, o Bairro da Vitória tem a coleta de lixo e a rede de água. Mas rede de esgoto, ainda não. Já a quantidade de moradores é questão particular. O caso de Terezinha Pereira da Silva, de 66 anos, se encaixa em três dos itens.
Cearense, ela mora no Bairro Floresta há 13 anos. Em um mesmo lote fica a sua casa, onde mora com um filho, e um barracão de dois cômodos de outro filho. No caso dela, o índice é o ideal para ocupação de dormitórios. Mas no barracão do filho estão dois adultos e cinco crianças morando nos dois cômodos.
Além disso, a família não tem acesso à rede de esgoto usa água da cisterna. "Ficava caro para pagar a água da rua. Então tirei e uso a da cisterna mesmo", explica a mulher. 

Ela diz que tem preocupação com a qualidade da água por causa de tantas fossas no bairro. "Mas tem de ser assim mesmo", resigna-se.
Moradora do vizinho Bairro Boa Vista há oito anos, a tocantinense Leni Pereira dos Santos, de 50 anos, tem situação semelhante. A diferença é que usa a água tratada fornecida pela Saneago. Mas não tem rede de esgoto disponível e a quantidade de pessoas nas duas casas do lote é grande.
Na sua casa, que fica na frente do lote, são três pessoas para dois quartos existentes (ela, o filho, a nora e um neto). Já no barracão dos fundos são apenas dois cômodos e um só quarto para abrigar o outro filho, a nora e dois netos (se dois e seis anos). "Ele está trabalhando para aumentar a casa e ficar mais sossegado", diz a mulher.
A mulher entende que o uso da fossa séptica não chega a ser um problema já que não usa mais cisterna. "A água vem da rua e já está tratada.


Aparecida enfrenta o crescimento desordenado

Aparecida de Goiânia tinha pouco mais de 40 mil habitantes em 1980. À sombra do crescimento da capital, a população aparecidense cresceu mais de quatro vezes em apenas uma década. E o aumento seguiu em ritmo vertiginoso até ultrapassar os 500 mil habitantes em 2010.
É hoje a segunda maior cidade do Estado. Mas o crescimento populacional acelerado e desordenado impediu que o referencial econômico se traduzisse em infraestrutura. A cidade tem sérios problemas em abastecimento público de água e em coleta e tratamento de esgoto.
Nos dados da Saneago, apenas 16% dos domicílios de Aparecida têm acesso à rede de coleta de esgoto. Obras estão sendo executadas pela empresa para aumentar o índice para 25%. 

Dentro do pacote da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), a concessionária pretende elevar o índice para o mesmo do Estado (pouco menos de 40%). Mas isso ainda é assunto para futuro incerto. O Parque das Nações tem já para mais de 30 anos. O tempo passou, o bairro cresceu, mas pouco progresso vingou. O bairro não tem asfalto, rede de água e nem coleta de esgoto. A coleta de lixo também é precária. A família de Ivonice Pires da Silva, de 51 anos, enfrenta os problemas da região há mais de 20 anos, quando se mudaram de Alexânia.


Dos quatro itens que definem uma moradia adequada, conforme o IBGE, a família esbarra em todos: coleta de lixo, número de pessoas por dormitório, rede de água tratada e esgoto. "Ninguém nunca ficou doente por causa da água, mas a gente se preocupa, não é?", diz a mulher.
Em seu lote, são três construções onde moram 12 pessoas (sete adultos e cinco crianças). Em um barracão, são dois quartos para cinco pessoas e, no outro, é um quarto para quatro pessoas. "Mas vamos todos trabalhando para melhorar as coisas", explica. Mas o tempo não para e as crianças crescem, exigindo mais espaço.

Fonte: Jornal O Popular

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