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Trabalhadores têm resultado histórico em negociações salariais

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18/03/2011
Lídia Borges

Os trabalhadores em Goiás tiveram em 2010 o melhor desempenho histórico nas negociações de reajustes salariais - 95,2% da categoria obtiveram ganhos reais, com porcentuais acima do índice de inflação.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é o maior índice desde o início da série histórica em Goiás, cujo primeiro levantamento foi feito pelo órgão em 1996. Os reajustes contemplaram empregados que recebem até três salários mínimos e são referentes a 21 acordos e convenções.

O excelente desempenho da economia brasileira no ano passado, a dinâmica do mercado interno e de trabalho, com consumo aquecido e geração de empregos, justificam o cenário positivo de negociações entre patrões e empregados. Mas a política do salário mínimo mantida pelo governo Lula, com aumentos reais e porcentuais bem acima da inflação, foi decisiva para que os acordos em convenções seguissem o mesmo embalo, explica a coordenadora-técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito.

Conquista

Tanto no comércio quanto setor de serviços, todas as negociações firmadas em 2010 obtiveram ganho real. Na indústria, esta conquista atingiu 90% das categorias. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio do Estado de Goiás (Seceg), as categorias varejista e atacadista, peças e acessórios, material de construção, óticos e carnes frescas, que são ligados diretamente ao Seceg, obtiveram em torno de 6% de reajuste no ano passado. Os comerciários recebem em torno de dois salários mínimo por mês.

"Em função da recuperação econômica, houve reconhecimento dos empresários quanto ao papel que os trabalhadores desempenharam para que a crise não se instalasse", ressalta o presidente do Seceg, Eduardo Amorim.
O vendedor e encarregado da Casa de Carnes Contra Filé, no Parque Anhanguera 2, Romildo Batista Martins, viu uma diferença pequena no seu salário reajustado no ano passado (atualmente, ele recebe R$ 1,4 mil), mas admite que qualquer valor a mais no bolso é importante.

Ele trabalha no açougue com outros vendedores que recebem em torno de R$ 1 mil. Atua na área há 17 anos e diz que o setor está melhorando gradativamente.

Salário mínimo

O presidente do Seceg, Eduardo Amorim, afirma que o salário mínimo, embora não seja um indexador oficial da economia, passou a ser parâmetro para as reinvindicações de classe, diferente do que acontecia em anos anteriores.
O primeiro-secretário da Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado de Goiás (Ftieg), José Alves Gomes, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados de Goiás, confirma a influência do aumento do salário mínimo - que passou dos 9% - para a maior maleabilidade nas negociações com os patrões. "Aumento de salário movimenta a economia, o consumo, e este era o cenário de 2010."

Expectativa

O ano de 2011 é esperado com bons olhos pelos representantes de classe, mas não no mesmo patamar observado em 2010.

José Alves ainda arrisca um palpite, de que as conquistas fiquem acima de 6% nas próximas negociações.

Acordos positivos em todo o País
São Paulo- No País, o Dieese constatou também que em 89% dos acordos salariais feitos em 2010 houve reajustes com aumento real (acima da inflação do período) para os trabalhadores, a maior proporção da série histórica iniciada em 1996.
O Departamento acompanhou 700 grupos de trabalhadores na indústria, comércio e serviços no ano passado, e constatou que em 96% dos acordos firmados os reajustes cobriram, pelo menos, a inflação medida pelo INPC, uma proporção ligeiramente abaixo do verificado em 2006 e 2007. Esse índice de preços teve variação de 6,47% em 2010, ante 4,11% em 2009 e 6,48% em 2008.

Os responsáveis pela pesquisa também chamaram a atenção para o aumento expressivo das negociações salariais que garantiram ganhos mais altos contra a inflação do período. Em 2008, apenas 0,3% dos acordos registrados garantiram reajustes 5% da acima da inflação do período; em 2009, essa proporção saltou para 1,4%; e em 2010, essa parcela foi de 4%.


Na ponta oposta -reajustes abaixo da inflação- o Dieese também verificou uma situação mais favorável aos trabalhadores. Em 2008, para 11% dos casos, os reajustes ficaram abaixo do INPC daquele ano; em 2009, essa proporção caiu para 8,6%; e em 2010, para 4,3%.(FP)


Fonte: Jornal O Popular
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