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Brasileiros deixam de buscar trabalho e reduzem taxa de desemprego

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20/11/2014

Samira Marcela Roman é uma das pessoas que ajuda a manter em baixa as estatísticas de desemprego no país. Mas não porque ela trabalha e, portanto, faz parte da população ocupada no país. A arquiteta e urbanista de 34 anos está há mais de 2 anos fora do mercado de trabalho por opção – e como não procura emprego, ela não é considerada desempregada. Samira quer trabalhar em algo que realmente desperte sua paixão, e enquanto isso não acontece, vive com a renda deixada pelo pai que já morreu e com a ajuda da mãe, que é professora aposentada e trabalha como diretora em uma escola para deficientes.

A
 taxa de desemprego de 4,7% em outubro foi a menor para o mês desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2002. Segundo o instituto, os índices mostram que o principal responsável pela redução do desemprego é a redução da procura por trabalho – e não o aumento da ocupação. Assim, o índice de pessoas desocupadas caiu porque as pessoas estão adiando a procura ou desistiram de buscar emprego, de acordo com o IBGE.

"De modo geral, ao longo desse ano de 2014, o indicador da ocupação tem se mantido estável, não tem apresentado resultados importantes, estatisticamente significativos ao longo do ano de 2014", afirmou Adriana Araújo Beringuy, técnica da coordenação de rendimento e trabalho do IBGE.

De acordo com a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, a taxa de desemprego não está aumentando porque a população economicamente ativa (PEA) também está muito baixa – nesse grupo entram tanto os que trabalham como os que procuram emprego – e deve fechar o ano com queda de 0,6%.

A consultora diz que a principal contribuição na queda da PEA vem dos jovens de 18 a 24 anos e do grupo de pessoas com idades entre 25 e 49 anos. Ela explica que os jovens estão adiando a entrada no mercado de trabalho para estudar e se qualificar. O bom motivo é que estão estudando mais, e nesse caso o crescimento da adesão ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do governo que financia a graduação de estudantes matriculados em cursos de instituições privadas com avaliação positiva, tem contribuído para os jovens se dedicarem apenas aos estudos.

Mas o mau motivo, segundo Alessandra, é que há os jovens “nem nem” – os que nem estudam e nem trabalham. “Isso ocorre porque houve crescimento da renda familiar nos últimos anos, com o pai e a mãe bancando o filho em casa e, por causa do aumento da renda, ele não está nem estudando nem se qualificando. Podia ser uma mão de obra ativa, com isso perde oportunidades e volta defasado ao mercado”.

Já no grupo dos de 25 a 49 anos, um dos destaques é que as mulheres estão saindo do mercado, pois, com o aumento da renda, a mulher passou a ficar em casa, cuidando dos filhos, enquanto o marido trabalha para sustentar a família.

Apesar de não se encaixar na faixa etária dos jovens de 18 a 24 anos, Samira optou por não trabalhar para se preparar para fazer o que o que realmente gosta e não se frustrar mais. E ela tem o privilégio de não precisar trabalhar para realizar esse sonho. “O motivo real por eu não trabalhar é por já ter feito coisas que não me motivavam ou que não prendiam meu interesse por muito tempo, que não me desafiavam. Eu gosto muito de estudar e tenho um milhão de interesses diferentes. Não pretendo parar nunca”, diz. Atualmente Samira cursa análise de sistemas em uma universidade pública de São José dos Campos, SP, e sonha em dar aula de história da arte.

Samira pretende ainda fazer um intercâmbio de graduação ou de pós-graduação no exterior, com bolsa de estudo, para poder retornar ao mercado de trabalho brasileiro com mais qualificação, para trabalhar em alguma vertente da área de análise de sistemas e, posteriormente, fazer pós-graduação em história da arte.

A arquiteta diz que estaria trabalhando se não tivesse quem a sustentasse, mesmo que não fosse na sua área de formação. “Gosto de trabalhar e gostaria de estar empregada, mas ainda tenho algumas coisas para aprender para poder me jogar no mercado, diz.

Aumento de renda
Os idosos também contribuem para que os jovens demorem mais tempo para fazerem parte da população economicamente ativa. Alessandra, da Tendências, explica que a previdência aumentou muito o ganho dos aposentados e, na renda familiar, permitiu que os jovens ficassem mais tempo na escola ou que não trabalhassem nem estudassem.

“O aumento de renda tem o efeito colateral de permitir que as pessoas parem de trabalhar, e esse fenômeno vem crescendo no país. O salto foi no ano passado, quando cresceu o número de pessoas deixando o mercado de trabalho. Isso está relacionado ao aumento de 4,1% em termos reais da renda do trabalho em 2012”, explica Alessandra.

Para Felipe Leroy, professor do Ibmec/MG e doutor em economia, existe ainda o efeito transferência de renda. “Se tem Bolsa Família não entra no mercado de trabalho, fica na informalidade.” Segundo ele, como o mercado informal ou o salário reserva (programa de transferência de renda) remuneram melhor, cargos operacionais, que exigem menor qualificação, acabam tendo déficit de trabalhadores.

O consultor diz ainda que muitos jovens não se sentem preparados e acabam fazendo cursos complementares para depois procurar emprego. Nesse caso entram principalmente os que terminam a faculdade sem experiência.

Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, cita o aumento do emprego e do salário médio entre os menos qualificados, com no máximo nível fundamental de escolaridade, como fator que contribui para a diminuição do desemprego.

Segundo ele, isso fez com que os demais membros da família como jovens de 15 a 24 anos, mulheres e idosos pudessem deixar de trabalhar, uma vez que a renda per capita aumentou devido ao aumento dos salários dos chefes de família com menos qualificação. 

“Houve aumento nos salários dos menos qualificados nos últimos anos. Se a situação mudasse nós teríamos com isso a queda de salário e desemprego dos chefes de família, e os jovens poderiam voltar a procurar emprego para complementar a renda familiar, o que poderia elevar a taxa de desemprego”, explica.

Para o especialista, o mercado de trabalho para os jovens está aquecido e, além disso, há vagas sobrando porque muitos deles, com nível fundamental e médio, não estão procurando emprego por opção.

Metodologia
Para Felipe Leroy, a taxa de desemprego deveria ser maior, principalmente quando se verifica o baixo crescimento da economia. “Existe uma recessão técnica. Quando você olha em 2010 a economia crescia 7,5% com uma taxa de desemprego muito próxima à deste ano. Isso mostra um grau de distorção muito grande”, comenta..

O economista acha que a metodologia de cálculo deve ser modificada para que a abrangência de entrevistados seja maior. “Como é amostral, com entrevistas em locais com maior densidade populacional, não há abrangência suficiente para dimensionar a realidade do índice. Se você avaliar o mercado de trabalho, cada estado tem uma particularidade, então as pesquisas não traçam o retrato exato. Então acho que deve aumentar o número de pessoas avaliadas por estado”, diz.

Para ele, com isso, a taxa de desemprego teria um aumento considerável. “Falar que está em pleno emprego, olhando para a economia como ela está, isso não bate, tem alguma coisa errada”, critica.

Previsões
Menezes Filho lembra que o processo de criação de empregos diminuiu no último ano e a tendência é continuar caindo devido à perda do dinamismo da economia. Para ele, o salário médio não deverá subir tanto como antes, assim como o salário mínimo não vai aumentar muito no ano que vem.

“A taxa de desemprego está muito baixa, mas a taxa de ocupação está tendo comportamento bem negativo porque a atividade econômica está muito fraca. O índice de ocupação deve ser negativo, de -0,1% no ano, se levarmos em conta a tendência dos últimos dados divulgados. No ano passado cresceu 0,7%, é uma mudança de dinâmica bem relevante e está alinhada com o quadro econômico fraco e a queda do PIB”, diz Alessandra.

Para a economista, o cenário para 2015 é ruim. Alessandra prevê que o aumento de juros deve continuar para controlar a inflação, o que terá efeitos na atividade econômica e no mercado de trabalho. Ela espera aumento da taxa de desemprego, com média de 5,4%, e enfraquecimento na taxa de ocupação. Além disso, não devem ser gerados novos postos de trabalho e as pessoas devem voltar a procurar emprego. A PEA deve subir porque a renda deve crescer 0,4% em 2015 – neste ano o crescimento foi de 2,1%.

“Levando em conta o desaquecimento na atividade econômica, as pessoas devem voltar ao mercado de trabalho, provavelmente os reajustes de salário devem ficar mais no sentido de reposição da inflação do que com incremento real para as faixas salariais das categorias, o governo deverá colocar as contas públicas em ordem também, vai ter que segurar gasto e aumentar impostos para evitar a perda do grau de investimento. Esse ajuste vai ter custo com mercado de trabalho mais fraco, renda crescendo menos, economia crescendo menos, estamos pagando as contas de políticas econômicas equivocadas”, afirma.

Alessandra lembra que a criação de vagas este ano em relação ao ano passado foi bem menor –  houve queda de 30% na geração entre janeiro e setembro deste ano na comparação com o mesmo período de 2013, segundo dados do Caged. Mesmo assim, Alessandra lembra que não há enfraquecimento do mercado de trabalho, pois não há indícios de desalento, quando as pessoas querem trabalhar e não acham emprego.

"Ainda é positivo, porque é emprego formal, só que em ritmo muito menor. Mas quando se olha por setor, a gente percebe que a indústria e a construção civil demitem há 7 meses seguidos e o que contrapõe são o comércio e setor de serviços. Isso pode contribuir para aumentar a taxa de desemprego no ano que vem", ressalta.

Fonte: G1

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