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A entrega da CELG e um Goiás que vira pizza

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09/12/2016

O ex-governador Pedro Ludovico Teixeira (pobre Pedro!), fundador de um Goiás que despontou para o seu futuro a partir dos anos de 1930 e o visionário criador da CELG em 1955, está com seus ossos em estalos revoltos.

A antiga CELG, hoje CELGPAR e amanhã (só Deus, sabe!), fora concebida como instrumento fundamental para a própria modernização de Goiás. Nada mais adequado, afinal, Goiás com seu relevo favorável e sua ampla teia fluvial oferecia condições extraordinárias para a produção e distribuição de energia elétrica a baixos ou baixíssimos custos para a população.

Por obséquio, entendam o que tento dizer... Não estamos falando da extensa área do semiárido nordestino, região notadamente conhecida pela seca e onde um regato d'água barrenta é motivo de conflitos seculares entre famílias tradicionais; também não nos referimos a região do alto Amazonas, cujos rios, demasiadamente extensos, impedem investimentos em barragens, diques ou similares. Já imaginaram uma hidroelétrica no rio-oceano Amazonas?

E que tal fazer barragem em áreas de morros, serras, montanhas e morretes como é a topologia da trinca Rio de Janeiro/Minas Gerais/Espírito Santo? Tudo fica muito mais caro e dispendioso. Então, Goiás é, nesses termos, um primor de relevo; um planalto soberbo e que é uma espécie de dádiva territorial. Tomemos como breve exemplo as bacias do Tocantins, do Araguaia e do Paranaíba, rios caudalosos, perenes e que oferecem bem melhores condições de intervenção em seus cursos.

Pois bem... Ainda assim, com toda essa ampla vantagem comparativa, Goiás, sob o bastião autoritário do PSDB de Marconi Perillo abre mão, em definitivo, do seu futuro; joga a toalha para os seus serviços públicos fundamentais e entrega a CELG ou o que o valha a preço de pizza vencida para um grupo italiano, a ENEL.

Acompanhei as lutas do Sindicato das Indústrias Urbanas no Estado de Goiás (STIUEG) pela manutenção da CELG, por sua valorização, modernização e democratização e que permanecesse sob o controle público. Sabem os "porquês" desta luta? Conseguem identificar as razões desse Sindicato insistir por uma empresa pública, social e sob o controle da sociedade?

Pois bem, essa defesa justa e necessária parte de um princípio de soberania energética, portanto, econômica, ambiental e social; mira na manutenção da capacidade de gestão e governo dessa empresa a partir de critérios inteiramente sociais, públicos e coletivos.

Não é uma cegueira "estadolátrica" mas, ao contrário, é almejando um projeto de futuro onde matriz e padrões energéticos, como todos sabem, atualizados e operantes são fundamentais para a modernização da economia goiana tornando-a mais competitiva a partir, sobretudo, da disponibilidade essencial do insumo da energia elétrica mais barata do Brasil e circunvizinhanças.

Nada disso fora sequer cogitado por Perillo e sua tecnocracia profundamente neoliberal. Imaginei um referendo para ouvir a população goiana! Seria muito interessante saber o que o homem do povo iria dizer ao ser questionado: "Vendemos a CELG ou não?". A dona Maria, lá da cidadezinha do interior e que tem uma mercearia; ou o seu Benedito e que faz queijos; a dona Francisca que tem um pequeno restaurante. O que toda essa gente do trabalho teria a dizer sobre essa venda não autorizada e praticada pelo governo paspalho de Perillo com notório apoio do presidente golpista!

Mas... Que bobagem a minha... Ouvir o povo, pra quê? Povo, em um cenário nacional e internacional como o que estamos metidos, é algo que não faz o menor sentido, sobretudo, para governos despóticos como o de Marconi Perillo. Aliás, não é uma coincidência que a principal empresa pública de Goiás tenha virado um "pacotão" de quinta categoria e sido entregue solene e docentemente para empreendedores internacionais exatamente sob o governo golpista e já deteriorado por toda sorte de corrupção como é o de Temer; cuja economia é governada por um banqueiro especulador, um goiano [imaginem isso?] de nome Henrique Meirelles (ex-PSDB?) e que cuja principal política econômica é cortar verbas de áreas sociais fundamentais como saúde ou educação e o sucateamento dos necessários institutos e universidades federais do país. Como diz minha mãe: "É a tampa e o balaio!".

Não tem cabimento! Isso tem nome nos estudos de história. Se chama colonialismo puro e simples. É um pacto colonial de tipo novo e, desta monta; nos tornamos uma espécie de capitânia hereditária em escancarado 2016. É trágico!

Esse novo pacto colonial ou neocolonialismo afundado nas entranhas do Brasil Central irá promover a maior, vejam bem, a maior onda de descapitalização da história de Goiás; nós, os mortais dessa província, testemunharemos a mais comprometedora e deletéria transferência de divisas goianas para a fronteira italiana. Será a mais descarada e anti-desenvolvimentista lógica de transferência de recursos eminentemente locais para a metrópole romana.

Essa "venda" ou como contam economistas mais astutos, a "fazenda" feita com o mercanejamento dessa empresa fundamental fratura Goiás de qualquer possibilidade de efetivo desenvolvimento; algo tão estratégico e determinante como energia, aliás, razão e motivo de todas as principais guerras do mundo contemporâneo, jamais poderia ter sido tratada de forma tão irresponsável, inconsequente e criminosa.

Finalmente, Perillo, esse "vodu de negociatas estrangeiras"; esse empreendedor às avessas; entreguista do patrimônio social e produtivo do povo goiano entra para a história de Goiás como aquele que capou em definitivo, as possibilidades de construção de efetivo projeto de desenvolvimento ou endo-desenvolvimento com base no povo da terra, em seus anseios e no seu futuro de unidade e integração.

O subdesenvolvimento é nosso caminho inevitável.

 

Ângelo Cavalcante - economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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