O plebiscito popular está aberto. A partir de hoje, a população de Goiás tem um caminho direto para dizer o que o governo tenta decidir sozinho: se aceita ou rejeita a entrega da SANEAGO à iniciativa privada por um contrato de 20 anos.
A participação é híbrida. O voto pode ser registrado presencialmente nas urnas físicas que serão instaladas em municípios de todo o estado (locais em divulgação) e também pela internet, no site sossaneago.com.br. O recado é simples: um serviço essencial não pode ser colocado em contrato de duas décadas sem que o povo seja ouvido.
O ato de lançamento, realizado na Praça do Bandeirante, em Goiânia, foi o marco inicial dessa consulta pública. E já começou do jeito que precisa ser: com a rua participando. Pessoas que passavam pelo centro pararam para ouvir, conversar, entender o que está em jogo e votar. Esse movimento é a prova de que saneamento interessa, mobiliza e pesa no cotidiano de quem paga a conta e depende do serviço.
A distribuição simbólica de abacaxis durante a atividade traduziu, em linguagem popular, o tamanho do problema. Um contrato de 20 anos é um abacaxi que atravessa governos, atravessa crises econômicas, atravessa mudanças de cidade, de renda, de realidade. Quem fica com as consequências é a população.
O edital lançado pelo Governo de Goiás prevê um modelo de concessão administrativa para o esgotamento sanitário em 216 municípios, com duração de 20 anos. O empresa privada implanta, opera e mantém, com pagamento garantido por contraprestação pública. Esse desenho trava o estado em uma obrigação de longo prazo e cria uma relação de dependência contratual. Para o STIUEG, isso fere o interesse público porque reorganiza o saneamento sob uma lógica de rentabilidade e coloca pressão permanente sobre tarifa, planejamento e prioridades de investimento.
A SANEAGO tem história, estrutura, capacidade técnica e corpo funcional qualificado. A empresa caminha para ampliar cobertura e pode cumprir metas de universalização com fortalecimento da gestão pública, planejamento e investimento. A saída que o governo escolheu muda o comando da operação e desloca a tomada de decisão para um contrato que protege o investidor e amarra o estado.
Essa entrega atinge três frentes ao mesmo tempo.
A primeira é o bolso. Um contrato desse porte cria mecanismos para garantir “equilíbrio econômico-financeiro”. Na prática, qualquer frustração de receita, aumento de custo ou mudança regulatória vira disputa de reequilíbrio. O resultado costuma ser reajuste, taxas, aditivos e judicialização. Saneamento vira planilha, e o risco recai sobre a sociedade.
A segunda é o controle público. Quando a operação sai da mão do estado, o poder de decidir onde investir, como priorizar e como responder a emergências muda de patamar. A população fica mais distante do comando do serviço. O contrato vira o centro das decisões.
A terceira é o trabalho. Milhares de trabalhadores sustentam esse sistema todos os dias. Um processo dessa magnitude reorganiza funções, territórios, estruturas e abre caminho para terceirização e precarização. A insegurança cresce exatamente para quem garante o serviço funcionar.
O plebiscito popular existe para romper essa lógica de decisão de cima para baixo. Ele cria registro público de vontade popular. Ele amplia informação. Ele constrói força social. Ele cria um fato político: saneamento em Goiás tem dono, e o dono é o povo.
A luta do STIUEG parte de um princípio direto: água e saneamento são direitos, serviço essencial, patrimônio do povo goiano. A entrega da SANEAGO para a iniciativa privada por 20 anos atende a interesses que não são os da população.
O plebiscito começou. A resposta de Goiás começa agora.














