Nota de Repúdio e Denúncia: O Lucro da Equatorial Goiás custa vidas

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É com profunda indignação que denunciamos a ocorrência de mais um grave acidente envolvendo equipes da Equatorial. Este episódio ocorreu poucos dias após a trágica morte do eletricista Gilson Messias, na GO-040, revelando um cenário de total descaso com a integridade humana.

Como se a dor e a revolta já não fossem suficientes, recebemos hoje a trágica notícia de mais um acidente fatal, agora no município de Santa Helena. O sangue de mais um trabalhador escorre nas mãos de uma gestão negligente. Três acidentes gravíssimos — duas mortes confirmadas — em um espaço de tempo assustadoramente curto não são “fatalidades” ou “desvios de conduta”; são a prova irrefutável de que o modelo operacional da Equatorial Goiás é letal. A empresa instituiu uma verdadeira roleta russa diária para seus trabalhadores.

A Anatomia do Descaso

Não são eventos isolados. O que estamos testemunhando em Goiás é o resultado direto de uma gestão que prioriza indicadores financeiros em detrimento da segurança básica. A Equatorial Goiás transformou o setor elétrico em uma “moedora de gente” através de:

 * Pressão Desumana por Metas: A obsessão em manter baixos os índices de DEC e FEC (indicadores de interrupção de energia) impede que a rede seja desligada para manutenções seguras. Trabalha-se no limite do risco para não “sujar” o gráfico de produtividade da empresa.

 * Sobrecarga das Equipes: Trabalhadores exaustos, submetidos a jornadas extenuantes e sob constante pressão psicológica, são empurrados para situações de perigo iminente.

 * Precarização e Rompimento de Contratos: A política de rescindir contratos com empresas terceirizadas e substituir por contratos mais “baratos” ou precários fragiliza a segurança técnica e a estabilidade das equipes de campo.

Lucro Manchado de Sangue

O lema da empresa parece ter sido reduzido à obstinação pelo lucro. Enquanto os acionistas celebram resultados, as famílias dos eletricistas choram seus mortos e feridos. É inadmissível que o rompimento de cabos danificados em redes de 13,8 kV seja tratado como “risco do ofício” quando, na verdade, é fruto de falta de investimento, negligência e manutenção preventiva precária.

Exigimos Respostas e Punição

Não aceitaremos que a vida do trabalhador goiano continue sendo tratada como um custo operacional descartável. Exigimos:

 * A interrupção imediata da política de manutenção em linha viva em condições de risco extremo.

 * A investigação rigorosa pelas autoridades do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre a pressão psicológica, a precarização das empreiteiras e o cumprimento das normas de segurança (NR-10).

 * Transparência total sobre as causas dos acidentes na GO-040, em Trindade e em Santa Helena, com a devida responsabilização criminal e administrativa da concessionária.

A Equatorial Goiás precisa entender de uma vez por todas: a vida de um eletricista vale mais do que qualquer índice de continuidade de serviço.