Desigualdade Escancarada: Mulheres na Equatorial Goiás Recebem Até 40% Menos que Homens; Sindicato Promete Embate no Acordo Coletivo 2026

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O mais recente Relatório de Transparência e Igualdade Salarial da Equatorial Goiás, referente ao segundo semestre de 2025, revela um cenário alarmante de disparidade de gênero dentro da companhia. Com uma força de trabalho composta majoritariamente por homens (71%), a empresa mantém abismos salariais que superam a média nacional, evidenciando que a meritocracia pregada nos manuais de RH não se reflete nos contracheques das trabalhadoras.

Os Números da Vergonha: A Realidade Financeira das Mulheres

Os dados são implacáveis: o salário contratual mediano das mulheres na Equatorial equivale a apenas 79,7% do recebido pelos homens. No entanto, o cenário piora quando analisamos a remuneração média mensal (que inclui bônus e gratificações), onde o valor cai para 68,7%[cite: 5]. Isso significa que, na prática, uma mulher recebe quase *32% menos que seu colega homem para manter a operação da empresa funcionando.

A desigualdade é ainda mais profunda em cargos de liderança e setores administrativos:

  • Dirigentes e Gerentes: A remuneração das mulheres nessa categoria é de vergonhosos 59,6% em relação à dos homens.
  • Serviços Administrativos: O abismo chega ao seu ponto crítico, com as mulheres recebendo menos da metade da remuneração masculina (47,9%).
  • [Técnicos de Nível Médio: Embora o salário base seja mais próximo (85,9%), a remuneração final cai para 59,2%, sugerindo que o acesso a horas extras e gratificações é amplamente desigual.

A Armadilha dos “Critérios de Remuneração”: Uma Crítica Necessária

O relatório lista critérios que a empresa utiliza para definir salários, mas um olhar crítico revela que eles podem ser ferramentas de exclusão. Ao pontuar a “Disponibilidade para horas extras, reuniões com clientes e viagens” como critério remuneratório, a Equatorial ignora a realidade da dupla jornada enfrentada pelas mulheres brasileiras. Em uma sociedade onde o trabalho de cuidado recai desproporcionalmente sobre as mulheres, exigir disponibilidade total sem políticas de apoio é punir financeiramente a maternidade e a vida doméstica.

Além disso, critérios subjetivos como “Proatividade e desenvolvimento de ideias” e *”Capacidade de trabalho em equipe”, quando não acompanhados de métricas transparentes e auditorias de viés, servem frequentemente para mascarar o favoritismo e o preconceito de gênero institucionalizado[cite: 28]. Onde estão as ações concretas? O relatório menciona “Políticas de contratação”, mas os números mostram que o acesso de mulheres negras, por exemplo, ainda é limitado a apenas *15% do quadro total.

Sindicato em Pé de Guerra: Foco no Acordo Coletivo 2026

Diante desses dados, o Sindicato da categoria já sinaliza que a passividade acabou. A transparência imposta pela lei agora serve de combustível para a mobilização.

Não aceitaremos que a Equatorial continue lucrando com a precarização do trabalho feminino. Os dados de 2025 são a prova de que a empresa falhou em promover a equidade.

A meta para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026 é clara: a implementação de uma cláusula de Equiparação Salarial Imediata para funções idênticas e a revisão total dos critérios de produtividade que penalizam quem possui dependentes e obrigações familiares.

O Sindicato exigirá que a empresa apresente um cronograma de correção dessas distorções, sob pena de judicialização e greve. A Equatorial Goiás precisa entender que a energia que move o estado não pode vir de uma estrutura de desigualdade.