Empresas que querem a privatização da Saneago estão atoladas em denúncias de corrupção

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O cancelamento do leilão em 24 de março foi uma vitória da mobilização popular. Trabalhadores Urbanitários, movimentos sociais e parlamentares comprometidos com o bem público barraram a tentativa de Ronaldo Caiado de entregar a SANEAGO à lógica do lucro privado. Com Caiado voltado para suas ambições presidenciais, o projeto de privatização da SANEAGO segue vivo nos corredores do palácio — e cabe a Daniel Vilela decidir se herdará o ônus de ser o responsável pelo desmonte do saneamento público ou se respeitará a vontade das ruas.

Nesse cenário, vale denunciar as empresas que demonstraram interesse no leilão: a Aegea Saneamento, que entrou na justiça para arrematar os três blocos sozinha, e a Quebec, ligada ao consórcio que apresentou lance e também à Limpagyn, empresa que gere a coleta de lixo em Goiânia.

Os predadores do patrimônio: O Caso Aegea

No processo licitatório, ficou evidente quem são os maiores interessados na fatia goiana. A Aegea Saneamento chegou a judicializar o certame, buscando garantir a possibilidade de arrematar os três blocos de uma só vez. Essa disposição da Aegea em concentrar os três blocos revela o apetite de um setor que enxerga no saneamento público uma oportunidade de negócio — e o histórico da empresa mostra o que esse apetite produz na prática.

O interesse da Aegea vai além do mercado — é uma questão de histórico. O nome da empresa circulou amplamente em episódios conhecidos como o “Propinoduto”. Executivos da companhia foram alvos de investigações e delações premiadas junto ao Ministério Público, com relatos de esquemas de pagamentos indevidos para obtenção de contratos públicos em diversos estados. É este tipo de governança que Caiado e Daniel Vilela querem para as águas de Goiás?

Quebec e o elo com a crise em Goiânia

Outro grupo que demonstrou apetite pelo leilão foi a Quebec, empresa que apresentou lance e mantém conexões com a Limpagyn. O perigo aqui é doméstico e bem conhecido dos goianos.

A Limpagyn protagonizou processos controversos junto à Prefeitura de Goiânia e à Comurg, em um imbróglio que gerou crises na coleta de lixo e suspeitas de irregularidades contratuais que prejudicaram a capital. A entrada de empresas com esse histórico no saneamento estadual evidencia o que o modelo de PPP da SANEAGO produz na prática: abre espaço para grupos já desgastados por gestões problemáticas e questionamentos jurídicos acumularem contratos públicos de grande porte.

Vigilância total: a luta continua

A suspensão do edital é um respiro. A experiência mostra que projetos derrotados na luz do dia costumam ser reeditados nas sombras das repartições, com novos nomes e as mesmas intenções.

O STIUEG e a sociedade goiana permanecem em estado de alerta. Cobramos de Daniel Vilela uma posição clara: ele manterá as portas abertas para empresas com históricos de delação e falhas de serviço, ou fortalecerá a SANEAGO como empresa pública, eficiente e voltada para o povo?

A mobilização popular é o que impede que o saneamento vire mercadoria de luxo. Seguimos vigilantes contra qualquer tentativa de reedição deste edital. A água é vida — e o povo goiano vai defender isso.