Audiência pública na Alego em 24/02 será o próximo passo para barrar o leilão do esgoto (25/03) e impedir que o governo Caiado avance com a entrega do saneamento em Goiás
A tarde desta quinta-feira (19/02) terminou com a frente do Palácio Pedro Ludovico tomada e um recado político direto ao governador Ronaldo Caiado. Com palavras de ordem, bateria, faixas e materiais de mobilização, cerca de 1.500 pessoas participaram de um ato público contra a privatização da SANEAGO, levando a denúncia do projeto até a sede do Poder Executivo estadual. E o encaminhamento já está definido: a luta continua no dia 24 de fevereiro, em audiência pública na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), para denunciar e debater o processo de parceria público-privada que o governo tenta impor à SANEAGO.
Em frente ao Palácio, o deputado estadual Mauro Rubem (PT) direcionou sua fala ao governador, cobrando que ele “desça para conversar com o povo” e lembrando a mentira feita por Caiado sobre o compromisso de não privatizar a SANEAGO durante a campanha:
“Aqui tem alguém que, ontem lá na assembleia legislativa, ficou fazendo propaganda de si mesmo, dizendo que é coerente, que é ético, que é honesto, e eu quero desafiar o Caiado a descer aqui agora para conversar com o povo. Porque o Caiado chega perto do povo só com a tropa da polícia para impedir o povo de conversar. Caiado é um mentiroso. E aqui o sindicato já está mostrando porque ele disse durante as eleições que a SANEAGO não seria privatizada. E ele está fazendo uma negociata.”
O QUE ESTÁ EM JOGO DE VERDADE
A mobilização acontece diante do leilão marcado para 25 de março de 2026, na B3 (São Paulo), referente ao projeto de concessão do esgotamento sanitário em 216 municípios por 20 anos, incluindo mais de 40 cidades que já possuem o esgotamento universalizado pela SANEAGO, num contexto em que o país tem meta legal de universalização até 2033. Na prática, o que se coloca na mesa é o início de uma reconfiguração profunda do saneamento em Goiás: um contrato de longo prazo que desloca decisões estratégicas para a lógica privada e reduz o poder real de controle público e social sobre um serviço que impacta diretamente saúde, meio ambiente, tarifa e desenvolvimento.
Não se trata de um detalhe técnico, nem de uma “modernização neutra”. Trata-se de quem manda no saneamento — e para qual objetivo. Quando o serviço essencial passa a ser estruturado para atender remuneração privada, o risco deixa de ser abstrato: aumenta a pressão por custo, por repasses, por garantias, e o povo paga a conta de um modelo amarrado por décadas. É por isso que o STIUEG trata esse processo como a porta de entrada para a privatização da SANEAGO por etapas.
Durante o ato, lideranças também citaram declarações públicas e movimentações políticas que indicam o avanço de projetos semelhantes no sistema de água. Isso muda o tamanho do problema. Se o esgoto abre a porteira, a água completa o caminho. E quando se fala de água, não se fala apenas de serviço: fala-se de soberania, de segurança hídrica e de vida.
Ao final da manifestação, o diretor do STIUEG, João Maria, afirmou que o ato desta quinta-feira não é um ponto final, mas o começo de um novo ciclo de mobilização em 2026, com articulação política e pressão institucional:
“Hoje, mais um dia histórico da luta em defesa do saneamento público. Acabamos de celebrar aqui o ato público de rua com várias presenças importantes, lideranças do campo político, dos movimentos populares, cidadão goiano dizendo não à privatização da SANEAGO. Hoje foi o primeiro ato de rua inaugural, no ano de 2026. Essa luta não para. Agora ela ganha forças. A adesão à frente ampla e suprapartidária, cada dia se fortalece mais com a presença de vereadores, deputados, pré-candidatos ao governo de Goiás, à câmara de deputados federal e estadual. Essa é a luta de todo cidadão goiano.”
João Maria também apontou os próximos passos imediatos, combinando medidas institucionais e mobilização social, com agenda no Ministério Público e novas audiências públicas no interior e na capital:
“Teremos agora um compromisso com o Ministério Público Estadual, uma audiência pública. Lá teremos também, nos próximos dias, visitas do interior, com audiências públicas e seguiremos construindo para o dia 26 próximo, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, uma grandiosa audiência pública suprapartidária, com todas as frentes em defesa da Saneago.”
O diretor concluiu afirmando que o objetivo da campanha é pressionar o governo a recuar e deixar nítido para a sociedade o que esse caminho significa:
“O objetivo maior é convencer o governador de que o caminho que ofertaram a ele com PPP significa a privatização do último órgão vital estratégico para os goianos. Por isso, defender a água é defender a vida. A água não é mercadoria. A Saneago é do povo de Goiás e o governador precisa ser coerente com seu compromisso de campanha.”
A denúncia feita nas ruas também conectou a pauta do saneamento à experiência já vivida no estado com a privatização da energia. O paralelo não é retórico: é memória social. Goiás já viu um serviço essencial ser vendido e virar símbolo de repúdio popular. O ato também citou exemplos de operação privada do esgoto em municípios como Jataí, Rio Verde, Trindade e Aparecida de Goiânia, além de críticas nacionais recentes envolvendo a SABESP, em São Paulo, como referências trazidas ao debate.
A manifestação teve início no CEPAL (Setor Sul), às 14h, e reuniu trabalhadores e trabalhadoras da SANEAGO, estudantes, movimentos sociais e organizações políticas. A organização estima a presença de 1.500 pessoas e informa que 30 caravanas vieram de diversas cidades do estado. Também estiveram presentes vereadores de municípios como Uruana, Jesúpolis, Anápolis e Goiânia (representada por Fabrício Rosa, PT), além da deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT) e do deputado estadual Mauro Rubem (PT), que se posicionaram contra a privatização da SANEAGO.
MANTENHA-SE MOBILIZADO!
Marque desde já na sua agenda: dia 24 de fevereiro, a luta se desloca para a Assembleia Legislativa de Goiás, em audiência pública na Alego, para denunciar e debater o processo de parceria público-privada que o governo Caiado tenta avançar sobre a SANEAGO.
Hoje foi apenas o início.





















