SANEAGO: Gestão Técnica, Eficiência e Compromisso com Goiás

Compartilhe

A água é um direito fundamental. O saneamento básico é um dos serviços públicos mais importantes para qualquer sociedade. Sem água tratada e coleta de esgoto não existem saúde, desenvolvimento econômico, preservação ambiental nem qualidade de vida.

Por isso, discutir o futuro da SANEAGO é discutir o futuro de Goiás.

É natural que existam opiniões diferentes sobre a melhor forma de ampliar investimentos, universalizar o saneamento e atender às necessidades dos municípios. Esse debate é legítimo. Mas decisões dessa importância não podem ser orientadas por circunstâncias momentâneas. Precisam ser fundamentadas em critérios técnicos, responsabilidade administrativa e, acima de tudo, no interesse da população.

A SANEAGO é uma sociedade de economia mista, controlada pelo Estado de Goiás. Esse modelo permitiu que a Companhia conciliasse eficiência empresarial com sua missão pública, levando água tratada e saneamento a praticamente todo o território goiano.

Como qualquer organização com décadas de existência, a Companhia possui desafios. Entretanto, reconhecer esses desafios não significa concluir que seja necessário mudar seu modelo de gestão. Pelo contrário. A experiência demonstra que organizações sólidas costumam alcançar melhores resultados quando aperfeiçoam sua administração, fortalecem sua governança e valorizam sua capacidade técnica.

Nos últimos anos, a SANEAGO evoluiu significativamente. Modernizou processos, ampliou mecanismos de controle, fortaleceu sua governança e tornou sua administração mais técnica. Ainda há espaço para avançar, principalmente na simplificação de estruturas administrativas, no fortalecimento da área operacional, na redução de burocracias e na melhoria contínua da eficiência. Esses ajustes produzem resultados mais consistentes do que mudanças estruturais motivadas apenas pela expectativa de que um novo modelo resolverá problemas antigos.

A própria experiência brasileira recomenda cautela. Em diversas regiões do país, as parcerias público-privadas no saneamento produziram resultados bastante diferentes entre si e, em muitos casos, ainda não entregaram plenamente aquilo que se esperava. Em Goiás, as experiências de subdelegação dos serviços também não alcançaram os resultados inicialmente projetados. Da mesma forma, a privatização da CELG continua sendo objeto de debate quanto aos benefícios efetivamente percebidos pela população.

Esses exemplos não significam que novos modelos sejam, por definição, inadequados. Demonstram apenas uma realidade importante: mudar o modelo de gestão, por si só, não garante melhores serviços, maior eficiência ou menores custos.

Diante disso, surge uma pergunta simples: por que não investir, antes de tudo, no fortalecimento da própria SANEAGO?

A Companhia já possui patrimônio técnico, experiência acumulada, profissionais qualificados e uma estrutura consolidada. Com gestão cada vez mais técnica, planejamento consistente, investimentos na operação, inovação, tecnologia e avaliação permanente de desempenho, ela reúne todas as condições para continuar evoluindo e prestar serviços ainda melhores à população.

Esse fortalecimento passa, necessariamente, pela valorização de seus empregados.

A grande maioria dos profissionais da SANEAGO trabalha com dedicação, competência e profundo conhecimento da realidade do saneamento em Goiás. São eles que mantêm sistemas funcionando diariamente, enfrentam emergências, atendem municípios e garantem que milhões de goianos tenham acesso à água e ao tratamento de esgoto.

Valorizar esses profissionais significa oferecer condições de trabalho, autonomia, capacitação e respeito. Mas significa também exigir compromisso, responsabilidade e resultados.

Infelizmente, como ocorre em qualquer organização, ainda existem situações de acomodação, resistência às mudanças e busca por proteção para evitar avaliações de desempenho ou cobranças por resultados. Em determinadas circunstâncias, a própria ingerência política é estimulada internamente por quem procura preservar funções ou privilégios.

É justamente nesse ponto que a gestão técnica se torna uma verdadeira blindagem institucional.

Quanto mais objetivos forem os critérios para nomeações, promoções e ocupação de funções de liderança, menor será o espaço para interferências indevidas. A técnica protege a empresa, protege seus gestores e, principalmente, protege o empregado comprometido, que passa a ser reconhecido por sua competência e não por relações pessoais ou apoios circunstanciais.

Também é necessário compreender corretamente o papel da política.

A política é indispensável. Cabe aos representantes da sociedade definir prioridades, ouvir as demandas dos municípios e estabelecer políticas públicas. À gestão compete transformar essas prioridades em resultados concretos, com planejamento, responsabilidade e respeito à legislação.

Essas funções não competem entre si; elas se complementam.

Por isso, a SANEAGO não pode ser tratada como moeda de troca, nem loteada para atender interesses circunstanciais. Uma empresa responsável por um serviço essencial deve ser administrada com critérios técnicos, preservando sua capacidade de investimento e sua eficiência operacional.

Na prática, o maior patrimônio político não é a distribuição de cargos. É a existência de uma empresa respeitada, eficiente e capaz de atender bem à população. O cidadão não avalia quantos cargos foram ocupados. Ele avalia se a água chega à sua casa, se o esgoto é tratado, se as obras são concluídas e se o serviço funciona com qualidade.

Há ainda uma dimensão pouco lembrada nesse debate.

Ao longo de sua história, a SANEAGO também ajudou a construir instituições permanentes que oferecem proteção social aos seus empregados e aposentados. Entre elas está a PREVSAN, responsável pela previdência complementar de milhares de trabalhadores que dedicaram suas vidas ao saneamento em Goiás.

É notório que uma empresa forte, equilibrada e bem administrada representa segurança não apenas para quem utiliza seus serviços, mas também para milhares de famílias que confiaram seu futuro à previdência complementar construída ao longo de décadas.

Essa não é uma preocupação corporativa. É uma preocupação institucional. A solidez da SANEAGO fortalece sua capacidade de cumprir compromissos, investir, gerar desenvolvimento e preservar um patrimônio social construído por várias gerações de trabalhadores.

Defender a SANEAGO, portanto, não significa defender governos, diretorias ou interesses particulares.

Significa defender uma instituição estratégica para Goiás.

Significa acreditar que é possível aperfeiçoar o que já existe, corrigir falhas, fortalecer a meritocracia, reduzir interferências indevidas, investir na operação, valorizar os profissionais comprometidos e tornar a Companhia cada vez mais eficiente.

Os desafios continuarão existindo. Mas eles serão enfrentados com muito mais segurança por uma empresa fortalecida do que por sucessivas mudanças de modelo, cujos resultados, muitas vezes, permanecem incertos.

Governos passam. Diretorias mudam. Mandatos começam e terminam.

A missão da SANEAGO permanece.

Fortalecer sua gestão técnica, preservar sua capacidade de investimento e colocá-la cada vez mais a serviço da sociedade é fortalecer Goiás.

Porque uma SANEAGO forte, eficiente, transparente e comprometida com o interesse público continuará sendo, acima de tudo, um patrimônio de todos os goianos.

Álvaro Leandro Barbosa Rodrigues

Gestor Público