Frente Ampla contra a privatização da Saneago reúne mandatos e pré-candidatos em Goiânia

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A PPP de R$ 8,13 bilhões está com leilão marcado para 20 de dezembro. Para barrar esse processo, deputados federais, deputados estaduais, vereadores e pré-candidatos ao governo de Goiás junto aos movimentos sociais e estudantis se reuniram no auditório do Castelo Inn Hotel na tarde de terça-feira (4), no Encontro da Frente Ampla Contra a Privatização do Saneamento, promovido pelo STIUEG. Saíram de lá com um compromisso público: defender a Saneago pública na campanha eleitoral e na Assembleia Legislativa.

A empresa atende 226 dos 246 municípios goianos, fechou 2025 com lucro de R$ 670 milhões sobre faturamento de R$ 3,5 bilhões e carrega o menor índice de endividamento entre as estatais de saneamento do país: 46%. Esses números estiveram no centro do debate o tempo todo.

 

O que é a PPP da Saneago e por que ela preocupa os trabalhadores

A PPP, Parceria Público-Privada, no valor de R$ 8,13 bilhões entregaria a operação do saneamento goiano à iniciativa privada por décadas. Até o momento da reunião, o site do BNDES marcava o leilão para o final de 2026.

Marcos Helano Montenegro, do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) e ex-presidente da Cedae e da Caesb, apresentou os dados dos balanços de 2025 e desmontou as três justificativas mais usadas para a PPP: falta de recursos, busca por eficiência e necessidade de universalização. Para acessar a apresentação na íntegra, clique aqui.

Sobre recursos, a Saneago tem folga de endividamento para buscar financiamento no BNDES, no Fundo de Garantia ou no mercado. Sobre eficiência, Montenegro comparou a estatal com a Aegea, holding privada que controla cerca de 90 concessionárias: a Saneago deve o equivalente a um quinto do que fatura, enquanto a Aegea acumula dívida líquida de R$ 30 bilhões, duas vezes e meia o seu faturamento. “Por que dar preferência ao setor privado com um desempenho como esse?”, perguntou.

 

O que acontece com os trabalhadores após a privatização

Os companheiros e companheiras que trabalham no saneamento já viram esse filme em outras estatais. Na Sabesp e na Corsan, o gasto com pessoal caiu à metade depois da venda, com demissões em massa. O deputado estadual Mauro Rubem (PT) trouxe outro exemplo apresentado no encontro: uma estatal cuja folha salarial encolheu de mais de R$ 1 bilhão para R$ 600 milhões após a privatização. O dinheiro saiu de Goiás.

O risco para a categoria é direto: menos postos, salários achatados e contratos precarizados. O vereador Fabrício Rosa (PT) lembrou o que aconteceu com a limpeza urbana de Goiânia, onde a terceirização cortou postos e comprimiu salários. Por isso a privatização da Saneago é uma pauta sindical, não só política.

 

Quantos municípios goianos dependem da Saneago

São 226 dos 246 municípios goianos atendidos pela estatal. O pré-candidato a governador Luiz César Bueno (PT) puxou a comparação com a privatização da Celg para mostrar o que isso significa no interior: produtor rural perdendo leite por falta de energia, indústria parada meses à espera de ligação. “A Saneago atende 226 dos 246 municípios goianos. É uma empresa que dá lucro, ela não é deficitária”, afirmou. E assumiu o compromisso: “Essa PPP não passará. Estaremos aqui lutando do lado de vocês.”

A deputada federal Adriana Accorsi (PT), vice-líder do governo Lula na Câmara, resumiu a disputa: “A Saneago não é do Caiado, ela não é do Daniel, ela é do povo de Goiás.” Accorsi cobrou investigação sobre a reabertura do edital no apagar das luzes do governo e se colocou à disposição para levar o debate ao BNDES, que participa da modelagem da PPP. “Esse debate a gente tem que fazer, não é esse o projeto para o qual o presidente Lula foi eleito.”

 

A proposta da categoria para os candidatos

A deputada Bia de Lima (PT) trouxe um instrumento concreto para a luta: um documento de compromisso a ser entregue a Daniel Vilela e aos demais candidatos ao governo, para que cada um declare por escrito sua posição sobre a Saneago. A proposta liga a defesa da estatal a uma campanha nacional pela reestatização de empresas vendidas nos governos Temer e Bolsonaro, da BR Distribuidora à Celg.

A vereadora Kátia Maria (PT) lembrou de onde veio boa parte da estrutura que agora querem entregar: “O presidente Lula investiu milhões fazendo a universalização da água chegar a Goiás”, com recurso do PAC, sem ônus ao estado. Uma empresa com superávit empurrada para a iniciativa privada. “Água não é mercadoria, saneamento não é mercadoria, saúde do povo não é mercadoria.”

O geógrafo Robson de Moraes somou um alerta ambiental: entregar as águas do Cerrado, berço de metade do que corre na Bacia Amazônica, sem qualquer medição da capacidade de reposição.

O professor Edward Madureira (PT), ex-reitor da UFG e pré-candidato a deputado federal, cobrou estratégia eleitoral. Lula teve 1,4 milhão de votos em Goiás no primeiro turno, enquanto a soma dos candidatos progressistas não chega a 400 mil. O recado: eleger bancada capaz de sustentar um eventual governo Luiz César.

Também discursaram a pré-candidata ao governo Luciana Morim (UP), a pré-candidata ao Senado Isaura Lemos, o candidato a federal Valério Luiz e o delegado Yasser e lideranças de CUT, CTB, Fórum Goiano e AGB. 

STIUEG convoca para triplicar a mobilização de março

O diretor Igor Dias, pela direção do STIUEG, transformou o encontro em pedido concreto de ajuda. Defendeu que a Saneago pública entre nos programas de governo e no horário eleitoral. Convocou a “guerrilha digital” já testada em março, com a hashtag SOS Saneago, para furar o silêncio da grande mídia.

Em março, a mobilização dos trabalhadores contra a privatização da Saneago levou 2 mil pessoas às ruas e suspendeu o processo. A meta agora é triplicar esse número num grande ato de rua, ainda sem data definida, no meio da campanha.

São 59 dias até a eleição. O STIUEG vai usar esse prazo para levar o debate sobre a Saneago pública a cada casa, ponto de comércio e roda de conversa de Goiás. O leilão está marcado. A categoria também está.

Companheiros e companheiras, a luta pela Saneago pública é a luta pelo emprego, pelo salário e pelo direito à água de todo o povo goiano. Juntos!